Em 1 ano, confiança da classe C sobe 5 pontos | ACIRP


23/04/2018

Em 1 ano, confiança da classe C sobe 5 pontos

De março de 2017 a março de 2018, a confiança do consumidor da classe C aumentou cinco pontos, passando de 71 para 76 pontos, segundo o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Em 12 meses, a reversão do processo inflacionário ampliou o poder de compra da classe C, que tem o maior potencial de consumo. A queda dos preços permitiu também uma forte redução dos juros, resultando em maior disponibilidade de crédito e ampliação dos prazos de pagamento”, analisa Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Há cerca de um ano, a Selic e a inflação atingiram 12,25% e 4,8%, respectivamente. Atualmente as taxas estão em 6,5% e 2,8%.

“Assim, a classe C volta a comprar itens cortados durante a crise conforme mostram as pesquisas e também artigos mais caros, já que as parcelas agora cabem no bolso”, diz Burti, acrescentando que a classe C é a menos pessimista. Em fevereiro, o INC do grupo foi de 79 pontos.

O índice vai de zero a 200 pontos; o intervalo de zero a 100 é o campo do pessimismo e, de 100 a 200, o do otimismo. A pesquisa foi feita entre os dias 1º e 13 de março pelo Instituto Ipsos em todo o território nacional.

BRASIL

A média nacional da confiança em março foi de 75 pontos, contra 71 há um ano. “Essa leve melhora acompanha a recuperação também tímida da economia no decorrer de 12 meses”, declara o presidente da ACSP.

O indicador variou dentro da margem de erro frente a fevereiro (77) e janeiro (77) de 2018, após fortes retrações e oscilações ao longo do ano passado. “Essa estabilização reflete o fato de a retomada não ser homogênea entre os setores, deixando a confiança em patamar ainda baixo e longe da neutralidade (100 pontos). No transcorrer do ano, quando a conjuntura melhorar mais em especial o setor de serviços, grande gerador de emprego", certamente o aumento do INC vai se intensificar”, comenta Burti.

OUTRAS CLASSES

A classe AB é a mais pessimista, com INC de 67 pontos em março, 63 há um ano e 69 em fevereiro. “Ela está mais descrente com o futuro, possivelmente em função de incertezas e expectativas quanto às eleições de 2018. O temor do aumento da violência em algumas regiões também pode ter elevado a desconfiança, assim como a continuidade da corrupção: quatro anos após a deflagração da Operação Lava Jato, desvios de recursos públicos continuam acontecendo”, ressalta o presidente da ACSP.

Por fim, a classe DE apresentou INC de 75 pontos, contra 74 em março do ano passado e 77 em fevereiro, variando dentro da margem de erro.

REGIÕES

O Sul é a região menos pessimista, com confiança de 83 pontos (82 em fevereiro e 93 há um ano). A forte queda na comparação anual decorre da safra agrícola menos volumosa, mesmo motivo que levou ao recuo do INC do grupo Norte/Centro-Oeste (71 em março contra 74 em fevereiro e 86 em março de 2017).

No Nordeste, o indicador registrou 78 pontos (74 em fevereiro e 52 há um ano). A explicação da subida drástica entre um ano e outro também reside na natureza: após cinco anos da maior seca da história da região, as chuvas voltaram em alguns estados nordestinos, dando mais ânimo às lavouras.

Por fim, o Sudeste apresentou diminuição do INC na variação mensal (71 em março contra 78 em fevereiro), provavelmente em função do surto de febre amarela e, mais particularmente no Rio de Janeiro, do aumento da violência. Há um ano, o indicar marcou 69.

Encomendado pela ACSP ao Instituto Ipsos desde 2005, o INC é elaborado a partir de 1.200 entrevistas pessoais e domiciliares em 72 municípios de todas as regiões do País, com base em amostra probabilística e representativa da população brasileira de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2014).

A margem de erro é de três pontos. Trata-se de uma medida da extensão de confiança e segurança do brasileiro quanto à sua situação financeira ao longo do tempo. Além de indicar a percepção do estado da economia para a população em geral, o índice visa a prever o comportamento do consumidor no mercado.

 

VEJA NA ÍNTEGRA O Índice Nacional de Confiança (INC)